O estado de São Paulo registrou 18 mortes por febre maculosa entre janeiro e julho de 2026, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde (SES-SP). No mesmo período, foram confirmados 19 casos da doença.
As mortes ocorreram principalmente nas regiões de Piracicaba, Americana, Sorocaba, Campinas, São José dos Campos, Santo André e São Bernardo do Campo.
Em Pirassununga, a Prefeitura confirmou que um idoso de 83 anos morreu em 18 de maio de 2026 vítima de febre maculosa. A doença é uma infecção grave provocada pela bactéria Rickettsia rickettsii, transmitida pela picada de carrapatos infectados.
A febre maculosa pode atingir pessoas de qualquer idade e evoluir rapidamente para quadros graves e até fatais quando o tratamento não é iniciado precocemente.
![]()

Quais são os sintomas da febre maculosa?
Os primeiros sinais costumam ser inespecíficos e podem ser confundidos com outras doenças, como dengue, viroses e leptospirose.
Entre os sintomas mais comuns estão:
- febre alta;
- dor de cabeça;
- dores no corpo;
- mal-estar;
- manchas avermelhadas na pele.
A partir do terceiro dia, podem surgir manchas e pequenas lesões arroxeadas, principalmente nas mãos e nos pés. Esses sinais podem indicar a evolução da doença para uma forma mais grave.
Em estágios avançados, podem ocorrer gangrena nos dedos e nas orelhas, além de alterações neurológicas e paralisia que pode começar pelas pernas e avançar em direção aos pulmões.
Alerta para quem frequenta áreas de mata
O infectologista Jean Gorinchteyn, do Hospital Israelita Albert Einstein, destaca que o diagnóstico precoce é fundamental para evitar complicações e mortes.
Segundo o especialista, a mortalidade pode chegar a 80% quando o tratamento com antibióticos não é iniciado rapidamente. A doença provoca uma inflamação dos vasos sanguíneos e pode comprometer órgãos como rins, fígado e cérebro.
Por isso, pessoas que apresentarem febre após frequentarem áreas de mata, florestas, fazendas, trilhas ou locais com vegetação alta devem informar imediatamente esse histórico ao médico.
Cães também podem levar carrapatos para dentro de casa
Outro ponto de atenção são os animais de estimação. Cães que circulam por áreas de vegetação podem voltar para casa carregando carrapatos, aumentando a possibilidade de contato com o parasita.
O carrapato também pode permanecer em roupas, camas e outros ambientes, ampliando o risco de exposição.
A orientação é evitar o contato com matas, gramados e vegetação alta. Quando a entrada nesses locais for necessária, a recomendação é utilizar calças compridas, botas e roupas claras, além de verificar o corpo e as roupas após o passeio.
Também é importante manter os cães protegidos com coleiras e produtos específicos contra carrapatos, seguindo orientação veterinária.
“A prevenção depende da atenção aos ambientes frequentados e da identificação precoce dos carrapatos”, orienta o infectologista.
Tratamento não deve esperar resultado do exame
A confirmação laboratorial da febre maculosa pode levar até duas semanas. Por isso, especialistas alertam que o tratamento não deve ser adiado enquanto se aguarda o resultado.
Se os sintomas forem compatíveis e houver histórico de contato com áreas de risco, o tratamento deve ser iniciado o quanto antes.
“Não se deve esperar o resultado dos exames, porque o atraso pode permitir a progressão para formas graves”, orienta Gorinchteyn, que também é professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC).
![]()

O que fazer ao encontrar um carrapato?
O Ministério da Saúde orienta que, ao encontrar um carrapato preso à pele, ele seja retirado com uma pinça, sem apertar ou esmagar o animal.
A orientação é puxar o carrapato com firmeza e cuidado, procurando retirá-lo inteiro. O procedimento também deve ser adotado quando o parasita for encontrado em cães.
Após a retirada, a recomendação é lavar o local da picada com água e sabão ou álcool.
Quanto mais rapidamente o carrapato for retirado, menor será o tempo de exposição ao risco de transmissão da doença.
As roupas utilizadas em áreas de risco também devem receber atenção. Peças que possam estar contaminadas devem ser lavadas adequadamente e, quando indicado, submetidas à água quente ou fervente, conforme as orientações das autoridades de saúde.
Atenção aos sinais
Diante de febre alta, dor de cabeça, dores no corpo ou manchas na pele, especialmente após contato com áreas de mata ou possível exposição a carrapatos, é fundamental procurar atendimento médico e informar sobre o contato com esses ambientes.
Na febre maculosa, o tempo pode fazer diferença entre a recuperação e a evolução para um quadro grave.
✍️ Reportagem: Jornalista Toni Oliveira
Jornal O Movimento Há 92 anos, a principal referência em jornalismo na região
( Fica proibida a reprodução total ou parcial, cópia ou distribuição do conteúdo, sem autorização expressa por parte do jornal O Movimento



Deixe o Seu Cometário