O consumo de alimentos nos supermercados brasileiros apresentou crescimento nas semanas seguintes à proibição das plataformas de apostas on-line, conhecidas como bets. Dados divulgados pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras) apontam alta de 6,5% entre os dias 5 e 11 de outubro e de 6,3% na semana seguinte, na comparação com os mesmos períodos de 2025.
Para a entidade, a redução dos gastos com apostas pode ter contribuído para ampliar o dinheiro disponível no orçamento das famílias, favorecendo a compra de produtos de primeira necessidade.
Entre os itens que ganharam destaque no levantamento estão arroz, óleo, macarrão e café, alimentos tradicionalmente presentes na cesta básica de consumo dos brasileiros.
Interior de São Paulo também registra crescimento
O avanço nas vendas foi observado em diferentes regiões do país. No recorte regional, a Grande São Paulo registrou crescimento de 5,5%, enquanto o interior paulista apresentou alta de 5,6% na segunda semana analisada.
O Nordeste teve aumento de 4,5%, e o Centro-Oeste registrou crescimento de 3,5%.
Os números indicam que a expansão do consumo não ficou restrita às grandes capitais, alcançando também cidades do interior.
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Relação com a proibição das apostas
A Abras avalia que a restrição às plataformas de apostas pode estar relacionada ao aumento das compras nos supermercados. A hipótese é que parte do dinheiro anteriormente destinado às bets tenha permanecido disponível para outras despesas domésticas.
Entretanto, os dados apresentados não comprovam que os recursos retirados das apostas foram diretamente transferidos para a compra de alimentos. O crescimento das vendas também pode estar associado a outros fatores econômicos, como renda, preços, inflação e comportamento dos consumidores.
O levantamento aponta, portanto, uma coincidência entre a redução do espaço das apostas on-line e o avanço do varejo alimentar, mas não estabelece uma relação direta de causa e efeito.
A evolução dos próximos meses poderá ajudar a identificar se o movimento representa uma mudança mais duradoura nos hábitos de consumo das famílias brasileiras.
Reportagem: Jornalista Toni Oliveira
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