Os caminhoneiros autônomos ameaçam iniciar uma greve nacional caso o Senado Federal não vote a Medida Provisória (MP) 1.343/2026 até a próxima quinta-feira (16), data em que o texto perde a validade caso não seja aprovado pelo Congresso Nacional.
A mobilização ganhou força nos últimos dias e já registra reflexos no Porto de Santos, onde caminhoneiros decidiram interromper o recebimento de novas cargas como forma de pressionar os senadores.
A categoria afirma que a medida provisória é fundamental para garantir o cumprimento do piso mínimo do frete e evitar prejuízos aos transportadores autônomos.
Paralisação começa em Santos
Em assembleia realizada pelo Sindicam-Santos, caminhoneiros decidiram cruzar os braços a partir desta segunda-feira (13), recusando novas cargas destinadas ao Porto de Santos.
A expectativa das lideranças é ampliar o movimento para outros estados caso o Senado não coloque a proposta em votação antes do vencimento da MP.
O presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, o “Chorão”, afirmou que uma eventual greve será consequência da falta de votação da matéria.
Segundo representantes da categoria, milhares de caminhoneiros estão mobilizados e podem aderir ao movimento nos próximos dias.
O que prevê a MP do Frete
A Medida Provisória foi editada pelo governo federal em março, após negociações com representantes dos caminhoneiros em meio à alta do diesel.
Entre os principais pontos do texto estão:
- Bloqueio automático da emissão do CIOT quando o valor do frete estiver abaixo do piso mínimo definido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT);
- Multas entre R$ 100 mil e R$ 1 milhão para empresas reincidentes que descumprirem a tabela do frete;
- Possibilidade de suspensão do Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC) das empresas infratoras;
- Inclusão, durante a tramitação na Câmara, de anistia para multas aplicadas a caminhoneiros envolvidos em bloqueios de rodovias após as eleições de 2022.
Impasse no Senado
Apesar de já ter sido aprovada pela Câmara dos Deputados, a proposta ainda depende da análise do Senado.
As lideranças dos caminhoneiros atribuem ao presidente da Casa, Davi Alcolumbre, a responsabilidade por colocar o projeto em votação antes do recesso parlamentar.
Se a MP não for analisada até 16 de julho, perderá a validade automaticamente.
Setor produtivo critica proposta
Enquanto os caminhoneiros defendem que a medida garante remuneração mínima para a categoria diante do aumento dos custos operacionais, representantes da indústria e do agronegócio fazem pressão contra a aprovação.
Entidades do setor afirmam que as novas regras podem aumentar os custos do transporte rodoviário, com reflexos no preço de alimentos, combustíveis e outros produtos.
O que pode acontecer
Caso a paralisação seja confirmada, o Brasil poderá enfrentar impactos no abastecimento de supermercados, postos de combustíveis, indústrias e centros de distribuição, repetindo os efeitos observados em greves anteriores da categoria.
A expectativa agora é pela definição da pauta do Senado nos próximos dias. A decisão será determinante para evitar uma nova paralisação nacional dos caminhoneiros.
✍️ Reportagem: Jornalista Toni Oliveira
Jornal O Movimento Há 91 anos, a principal referência em jornalismo na região
( Fica proibida a reprodução total ou parcial, cópia ou distribuição do conteúdo, sem autorização expressa por parte do jornal O Movimento)



Deixe o Seu Cometário