A partir da meia-noite deste domingo (1º de novembro), uma nova concessionária assume oficialmente a administração de aproximadamente 520 quilômetros de rodovias estaduais no interior de São Paulo. A mudança envolve estradas que atendem municípios das regiões de Campinas e Ribeirão Preto, incluindo cidades próximas a Pirassununga.
A responsável pela operação será a Rota Mogiana SPE S.A., que assume trechos anteriormente administrados pela Renovias e pelo Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de São Paulo (DER-SP).
De acordo com o Governo do Estado, a nova concessão abrange 22 municípios e beneficia aproximadamente 2,3 milhões de habitantes. Do total da malha, 346 quilômetros eram operados pela Renovias e outros 174 quilômetros estavam sob responsabilidade do DER-SP.
O contrato tem duração de 30 anos e prevê R$ 9,4 bilhões em investimentos para modernização, conservação e ampliação da infraestrutura rodoviária.
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O que muda para os motoristas?
Com a transferência da operação, a Rota Mogiana passa a responder pela conservação das pistas, monitoramento do tráfego e atendimento aos usuários nos trechos concedidos.
Entre os serviços previstos estão:
- Guincho: atendimento a veículos com problemas mecânicos ou panes;
- Socorro médico: assistência em acidentes e emergências;
- Monitoramento por câmeras: acompanhamento das condições das rodovias;
- Inspeção de tráfego: equipes para atendimento de ocorrências;
- Conservação: manutenção do pavimento, sinalização e infraestrutura;
- Atendimento 24 horas: suporte aos usuários durante todo o dia.
Segundo o governo estadual, a transferência foi organizada para garantir a continuidade dos serviços, inclusive durante o feriado prolongado de Finados.
Pedágios: veja o que muda a partir de novembro
Uma das principais dúvidas dos motoristas é sobre os valores cobrados nas praças de pedágio.
Segundo a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), as tarifas básicas das nove praças existentes serão mantidas, sem aumento na mudança de concessionária.
A nova tabela entra em vigor à meia-noite de 1º de novembro de 2026 e permanecerá válida até 31 de outubro de 2027.
Para automóveis de passeio, os valores são:
| Praça de pedágio | Tarifa normal |
|---|---|
| Jaguariúna | R$ 8,80 |
| Estiva Gerbi | R$ 7,80 |
| Casa Branca | R$ 8,15 |
| Mococa | R$ 8,10 |
| Espírito Santo do Pinhal | R$ 10,45 |
| Águas da Prata | R$ 4,60 |
| Aguaí | R$ 6,30 |
| São João da Boa Vista | R$ 7,40 |
| Itobi | R$ 10,75 |
Pagamento automático terá desconto
Os motoristas que utilizarem dispositivos eletrônicos de pagamento, conhecidos como tags, terão desconto de aproximadamente 5% nas tarifas das praças existentes.
Também está previsto o Desconto de Usuário Frequente (DUF), destinado aos motoristas que passam repetidamente pelo mesmo ponto de cobrança.
Pelas regras divulgadas, o desconto será de 10% entre a 11ª e a 20ª passagem e poderá chegar a 20% entre a 21ª e a 30ª passagem, conforme as condições do programa.
Outra mudança envolve o sistema Ponto a Ponto de Jaguariúna, que será encerrado. A redução de 50% na tarifa do trecho será estendida aos motoristas em geral, sem necessidade de cadastro no antigo programa.
Quais são as rodovias concedidas?
O novo contrato reúne trechos de rodovias anteriormente administrados pela Renovias e pelo DER-SP.
Entre as rodovias incluídas na concessão estão:
- SP-215;
- SP-340;
- SP-342;
- SP-344;
- SP-350;
- SP-333;
- SP-338;
- SP-107;
- SP-133;
- SP-225.
A concessão contempla segmentos dessas estradas, e não necessariamente toda a extensão de cada rodovia.
Entre os corredores que receberão intervenções estão a SP-340, entre Campinas e Mogi Guaçu, e a SP-350, entre Casa Branca, Itobi e São José do Rio Pardo.
Quais cidades serão atendidas?
A nova malha rodoviária abrange 22 municípios das regiões de Campinas e Ribeirão Preto.
Entre as cidades relacionadas ao sistema estão:
- Jaguariúna;
- Mogi Guaçu;
- Mogi Mirim;
- Estiva Gerbi;
- Casa Branca;
- Mococa;
- Espírito Santo do Pinhal;
- Águas da Prata;
- Aguaí;
- São João da Boa Vista;
- Itobi;
- São José do Rio Pardo;
- Artur Nogueira;
- Holambra;
- Santo Antônio de Posse;
- Cajuru;
- Santa Cruz da Esperança;
- Serra Azul.
A malha é utilizada diariamente por moradores, trabalhadores, transportadores e motoristas que circulam entre municípios do interior paulista.
R$ 544,2 milhões em investimentos nos dois primeiros anos
Nos dois primeiros anos de contrato, estão previstos R$ 544,2 milhões em investimentos. Os recursos serão destinados à recuperação do pavimento, melhorias na sinalização e drenagem, manutenção de pontes e viadutos, adequação de defensas e iluminação viária.
O cronograma de obras também prevê intervenções de maior porte ao longo dos 30 anos de concessão.
Entre os principais investimentos estão:
- 217 quilômetros de duplicações;
- 138 quilômetros de faixas adicionais e terceiras faixas;
- 86 quilômetros de novas vias marginais;
- 58 novas passarelas;
- 129 interseções;
- 24 obras em pontes e viadutos;
- 151 dispositivos de acesso novos ou adequados;
- 36,8 quilômetros de ciclovias;
- 135 pontos de ônibus.
O projeto prevê ainda a construção de um contorno viário em Águas da Prata, além de melhorias em acessos e dispositivos de segurança.
Cobrança eletrônica será implantada gradualmente
O contrato também prevê a modernização do sistema de cobrança por meio do Siga Fácil, modelo eletrônico que permite a identificação dos veículos e a cobrança de tarifas sem a necessidade de praças físicas tradicionais.
A implantação será gradual. Nos novos pontos de cobrança, a tarifa somente poderá começar a ser exigida após a execução e comprovação das melhorias iniciais e a disponibilização dos serviços previstos no contrato, sob fiscalização da Artesp.
Quando começa a nova concessão?
A transferência oficial acontece à meia-noite de domingo (1º de novembro). A partir desse horário, a Rota Mogiana assume a operação dos aproximadamente 520 quilômetros de rodovias e acessos estaduais incluídos no contrato.
A mudança encerra a administração da Renovias sobre os trechos incorporados à nova concessão e transfere também parte da malha que estava sob responsabilidade do DER-SP.
Com investimentos previstos para três décadas, o projeto estabelece um novo modelo de administração para importantes corredores rodoviários do interior paulista, com obras de ampliação, manutenção e mudanças graduais no sistema de pedágio.
Fontes para apuração: Governo do Estado de São Paulo, Secretaria de Parcerias em Investimentos, Artesp e DER-SP.
Reportagem: Jornalista Toni Oliveira
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