{"id":653,"date":"2024-04-07T14:23:22","date_gmt":"2024-04-07T14:23:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.omovimento.com.br\/jornal\/?p=653"},"modified":"2024-04-07T14:25:38","modified_gmt":"2024-04-07T14:25:38","slug":"jornalismo-profissional-e-verdadeiro-antidoto-contra-a-desinformacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.omovimento.com.br\/jornal\/jornalismo-profissional-e-verdadeiro-antidoto-contra-a-desinformacao\/","title":{"rendered":"Jornalismo profissional \u00e9 verdadeiro ant\u00eddoto contra a desinforma\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Falseamento de informa\u00e7\u00f5es, de opini\u00f5es, de vozes e at\u00e9 de rostos. Mentiras que chegam por telas e telinhas, que multiplicam-se com teorias conspirat\u00f3rias, com frases cortadas e datas imprecisas. A desinforma\u00e7\u00e3o, que se apresenta em diferentes faces e que representa amea\u00e7a concreta \u00e0s sociedades civilizadas, tornou-se desafio di\u00e1rio para profissionais da informa\u00e7\u00e3o, categoria que celebra, neste domingo (7), o Dia do Jornalista. Para pesquisadores do tema, trabalhadores dessa \u00e1rea t\u00eam a miss\u00e3o de atuar na linha de frente contra a epidemia desinformativa, mas t\u00eam desafios complexos di\u00e1rios nessa guerra.<\/p>\n<p>Em entrevista \u00e0\u00a0<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>,\u00a0o professor Jo\u00e3o Canavilhas, da Universidade da Beira Interior (Portugal) e pesquisador dos efeitos das novas tecnologias, disse\u00a0que o jornalismo tem sido o principal combatente contra a desinforma\u00e7\u00e3o e grande defensor da democracia. \u201cN\u00e3o devemos desligar uma coisa da outra para deixar claro que a desinforma\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas um fen\u00f4meno isolado: ele tem um objetivo espec\u00edfico &#8211; manipular as pessoas &#8211; e, em \u00faltima inst\u00e2ncia, visa destruir a democracia\u201d.<\/p>\n<p>Ele explica que algumas plataformas, como as redes sociais e as ag\u00eancias de checagens tamb\u00e9m combatem a desinforma\u00e7\u00e3o. \u201cPodemos dizer que o jornalismo profissional \u00e9 o verdadeiro ant\u00eddoto contra a desinforma\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<h2>&#8220;N\u00e3o devem atuar sozinhos&#8221;<\/h2>\n<p>Segundo a\u00a0 pesquisadora brasileira Ana Regina Rego, coordenadora geral da Rede Nacional de Combate \u00e0\u00a0Desinforma\u00e7\u00e3o (RNDC), os jornalistas t\u00eam responsabilidade nesse combate, mas n\u00e3o significa que devam atuar sozinhos. \u201c\u00c9 preciso atuar em sinergia com outros profissionais, como cientistas de dados, com agentes de sa\u00fade, ou mesmo professores do ensino b\u00e1sico, por exemplo. Eu acredito muito no jornalismo como institui\u00e7\u00e3o no combate \u00e0 desinforma\u00e7\u00e3o\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Ana Regina Rego pondera que h\u00e1, entretanto, um cen\u00e1rio m\u00faltiplo com portais de conte\u00fados desinformativos e que se utilizam de uma est\u00e9tica da informa\u00e7\u00e3o semelhante a\u00a0do campo do jornalismo profissional. \u201cExiste uma transforma\u00e7\u00e3o em curso, que inclui tanto a quest\u00e3o tecnol\u00f3gica das plataformas e pr\u00e1ticas que eram exclusivas do jornalismo, mas que hoje s\u00e3o compartilhadas em um espa\u00e7o em que qualquer pessoa se transformou em um produtor de conte\u00fados\u201d.<\/p>\n<p>De acordo com o professor portugu\u00eas Jo\u00e3o Canavilhas, a classe profissional est\u00e1 hoje mais ciente do seu papel na sociedade. \u201cAntes de termos evid\u00eancias sobre o poder da desinforma\u00e7\u00e3o &#8211; tal como aconteceu nas elei\u00e7\u00f5es americanas ou nas brasileiras &#8211; os jornalistas viam-se como um quarto poder\u201d. Mas isso se alterou. porque a desinforma\u00e7\u00e3o circula por v\u00e1rios canais e os jornalistas perceberam que j\u00e1 n\u00e3o basta dominar o seu canal para combater a desinforma\u00e7\u00e3o. \u201cIsso obrigou-os a repensar o seu papel e a encontrar formas de procurar os espa\u00e7os onde circula a informa\u00e7\u00e3o falsa para poderem combater\u201d.<\/p>\n<p>De acordo com o que avalia a presidente da Federa\u00e7\u00e3o Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Samira de Castro, a desinforma\u00e7\u00e3o se tornou parte desse ecossistema. \u201cO jornalista, por ter o seu compromisso com a fun\u00e7\u00e3o social da atividade e, por ter conhecimento n\u00e3o somente te\u00f3rico, mas tamb\u00e9m \u00e9tico sobre a profiss\u00e3o, deve ser visto como um combatente natural contra a desinforma\u00e7\u00e3o\u201d<\/p>\n<h2>Sob suspei\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>Mas, para Jo\u00e3o Canavilhas, a imagem do jornalista n\u00e3o \u00e9 a mesma para o p\u00fablico, o que seria fruto tamb\u00e9m de maus exemplos resultantes da pressa de ser o primeiro a publicar. \u201cAlguns profissionais deixaram de cumprir os princ\u00edpios \u00e9ticos e deontol\u00f3gicos associados \u00e0 profiss\u00e3o e, por isso as pessoas, dizem que \u2018os jornalistas s\u00e3o todos iguais\u2019. \u00c9 preciso mostrar que, tal como em todas as profiss\u00f5es, h\u00e1 bons e maus profissionais\u201d.<\/p>\n<p>A professora brasileira Ana Regina Rego, que atua na Universidade Federal do Piau\u00ed, aponta que existe uma a\u00e7\u00e3o de jogar o jornalismo em uma posi\u00e7\u00e3o de suspei\u00e7\u00e3o. Para conter essa situa\u00e7\u00e3o, no entender dela,\u00a0 o campo jornal\u00edstico tem que ser proativo e revisitar os pilares de constru\u00e7\u00e3o da sua confiabilidade. \u201c\u00c9 necess\u00e1rio trabalhar de forma \u00e9tica e com conhecimento mais aprofundado\u201d.<\/p>\n<h2>Verifica\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>Pesquisadora do tema, a professora Ta\u00eds Seibt, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), explica que a a\u00e7\u00e3o de verifica\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es \u00e9 algo imut\u00e1vel e diferencial para o jornalismo. \u201cO papel de verifica\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es seria potencializado para o jornalismo se diferenciar dos outros discursos, das outras pr\u00e1ticas de comunica\u00e7\u00e3o no contexto que a gente vive\u201d.<\/p>\n<p>De acordo com a professora, o jornalismo de verifica\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o de ve\u00edculos que fazem o fact-checking (checagem de fatos). \u201cTrata-se de uma a\u00e7\u00e3o para refor\u00e7ar esse princ\u00edpio como um elemento do jornalismo em um ecossistema de comunica\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel diante das mudan\u00e7as que a gente est\u00e1 acompanhando\u201d.<\/p>\n<p>A professora Ta\u00eds Seibt avalia que as ondas de desinforma\u00e7\u00e3o na internet mudaram, de alguma forma, o perfil dos jornalistas. Inclusive,, pelas condi\u00e7\u00f5es de precariza\u00e7\u00e3o da atividade e exig\u00eancias cada vez maiores com rela\u00e7\u00e3o a\u00a0quantidade e qualidade de publica\u00e7\u00f5es. \u201cIsso imp\u00f5e aos jornalistas v\u00e1rios desafios, inclusive de se adaptar a novos formatos. Por isso, \u00e9 necess\u00e1rio trabalhar a verifica\u00e7\u00e3o como um elemento-chave\u201d, afirma.<\/p>\n<p>A presidente da Fenaj, Samira de Castro, entende que os jornalistas passaram a incorporar a checagem como parte do trabalho di\u00e1rio. \u201cExistem \u00e1reas sens\u00edveis \u00e0 desinforma\u00e7\u00e3o, como a cobertura de pol\u00edtica, onde h\u00e1 uma desinforma\u00e7\u00e3o propositada para fazer sobressair narrativas de interesses de pol\u00edticos\u201d.<\/p>\n<p>Outro campo que ela cita \u00e9 a \u00e1rea da sa\u00fade, que se mostrou muito sens\u00edvel \u00e0 desinforma\u00e7\u00e3o por conta dos movimentos antivacina e antici\u00eancia. \u201cPor incr\u00edvel que pare\u00e7a, n\u00f3s estamos numa era em que a informa\u00e7\u00e3o \u00e9 um valor inalien\u00e1vel, mas o excesso de informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o ilumina o cidad\u00e3o\u201d, avalia. Em contraposi\u00e7\u00e3o, a informa\u00e7\u00e3o aprofundada \u00e9 o que faria a diferen\u00e7a e que deveria ser objetivo dos profissionais.<\/p>\n<h2>Dificuldades<\/h2>\n<p>Ta\u00eds Seibt\u00a0 indica que o desafio foi potencializado, por exemplo, pelo avan\u00e7o das tecnologias de intelig\u00eancia artificial com uma capacidade cada vez maior de simular realidades que n\u00e3o existem. \u201cE com muita t\u00e9cnica e refino. Ent\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil para o jornalista, se posicionar como esse mediador qualificado para verificar\u201d.\u00a0As dificuldades ficaram evidentes durante a pandemia de covid-19, quando a desinforma\u00e7\u00e3o foi rotineira e era preciso indicar as instru\u00e7\u00f5es corretas para proporcionar seguran\u00e7a aos cidad\u00e3os.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cA gente precisa, como cidad\u00e3o, ter em quem se apoiar. O jornalismo historicamente exerceu esse papel em diferentes contextos, mudan\u00e7as e crises. Estamos em um per\u00edodo em que esse debate est\u00e1 muito forte, mas o jornalismo continua fundamental e vai continuar sendo necess\u00e1rio\u201d.<\/p><\/blockquote>\n<h2>Forma\u00e7\u00e3o de cidad\u00e3os<\/h2>\n<p>Segundo o professor Jo\u00e3o Canavilhas, para controlar essas situa\u00e7\u00f5es de desinforma\u00e7\u00e3o, \u00e9 necess\u00e1rio que existam leis e entidades reguladoras para conter as mentiras. \u201cEm Portugal chama-se ERC. Mas \u00e9 nas plataformas que est\u00e1 o grande problema. Algumas s\u00e3o fechadas e, mesmo nas abertas, torna-se cada vez mais dif\u00edcil controlar a desinforma\u00e7\u00e3o. Claro que as redes sociais tentam fazer o seu trabalho, mas os algoritmos ainda s\u00e3o muito limitados a identificar informa\u00e7\u00e3o falsa\u201d.<\/p>\n<p>Para Canavilhas, s\u00f3 um controle humano consegue bons \u00edndices de efic\u00e1cia, mas seria imposs\u00edvel faz\u00ea-lo permanentemente dado o fluxo informativo. \u00c9 por isso que se torna t\u00e3o dif\u00edcil conseguir controlar a desinforma\u00e7\u00e3o nas redes sociais. \u201cA alternativa \u00e9 a literacia midi\u00e1tica, ou seja, introduzir estas mat\u00e9rias nas escolas e dar cursos livres para que todos os cidad\u00e3os percebam a diferen\u00e7a entre a informa\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica e o \u2018papo furado\u2019 das redes\u201d<\/p>\n<input type=\"hidden\" id=\"baseurl\" value=\"https:\/\/www.omovimento.com.br\/jornal\"><input type=\"hidden\" id=\"audio_nonce\" value=\"14c06bb3ff\">","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Falseamento de informa\u00e7\u00f5es, de opini\u00f5es, de vozes e at\u00e9 de rostos. 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