Créditos da imagem: Reprodução
Por Agência O Movimento — Neste sábado (21), o Brasil celebra o Dia Nacional do Imigrante Italiano, data que marca a chegada do navio La Sofia ao porto de Vitória, em 1874. A expedição liderada por Pietro Tabacchi trouxe 384 imigrantes — cerca de 70 famílias — e deu início a um fluxo migratório organizado que transformaria de forma profunda a formação social, cultural e econômica do país.
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Hoje, estima-se que aproximadamente 30 milhões de brasileiros tenham descendência italiana. O número coloca o Brasil como a maior nação com ascendentes fora da Itália. A influência aparece no dia a dia: da gastronomia às festas religiosas, do idioma incorporado ao vocabulário popular à arquitetura e ao empreendedorismo rural.
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Interior paulista virou referência produtiva
No interior de São Paulo, essa herança ganhou identidade própria. Em Pirassununga, conhecida como a “capital nacional da cachaça”, famílias italianas tiveram papel decisivo na consolidação da bebida como atividade econômica estruturada.
Embora a cachaça tenha origem no período colonial português, foram imigrantes com experiência em fermentação e destilação de uvas — tradição ligada à grappa — que ajudaram a dar escala industrial, padronização e maior controle técnico à produção. A abundância de cana-de-açúcar na região facilitou a adaptação do conhecimento europeu às condições brasileiras.
Como começou
A partir de 1852, famílias italianas passaram a se fixar na zona rural da região, dedicando-se ao cultivo, à destilação e ao engarrafamento de aguardente.
Entre os nomes históricos está o de Ângelo Pavan, que estruturou as bases da tradicional Cachaça Pavão, mantida por gerações.
Já os irmãos Piccolo, que eram imigrantes italianos, tiveram papel central na consolidação da Cachaça 51. Em 1951, passaram a adquirir cachaça produzida em alambiques de Pirassununga, realizando o engarrafamento em recipientes de 600 ml em Santa Cruz das Palmeiras e revendendo a bebida no comércio local.
Em 1959, a marca foi adquirida por Guilherme Müller Filho, empresário de ascendência alemã e fundador da Cia. Müller de Bebidas. A partir da aquisição, a produção passou a ser estruturada em escala industrial, consolidando Pirassununga como referência nacional no setor.
Estimativas apontam que mais de 40 famílias italianas atuaram diretamente na produção de aguardente em Pirassununga, ajudando a transformar a atividade artesanal em cadeia produtiva organizada.

Indústria e identidade regional
O município também abriga a Indústria de Bebidas Pirassununga, responsável pela produção da tradicional Caninha 21.
A antiga “Caninha Especial Pirassununga 1921” foi pioneira ao estampar o nome da cidade em seus rótulos, tornando-se uma das primeiras iniciativas do setor a associar diretamente a marca ao território de origem — movimento que contribuiu para fortalecer a identidade do município no mercado nacional.
Turismo e memória
O legado permanece vivo na chamada Rota da Cachaça de Pirassununga, roteiro de turismo rural que inclui alambiques tradicionais e o Museu da Cachaça, espaço que reúne uma das maiores coleções do mundo dedicadas à bebida.
Mais do que uma data simbólica, o Dia Nacional do Imigrante Italiano reforça como a imigração foi determinante para o desenvolvimento regional brasileiro — especialmente no interior paulista, onde tradição familiar, técnica produtiva e empreendedorismo atravessaram gerações.
✍️ Reportagem: Jornalista Toni Oliveira
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