Créditos da imagem: Conselho da Comunidade/Reprodução -Robinho na P2 de Tremembé.
Por Agência O Movimento — O ex-jogador Robinho, condenado por estupro coletivo pela Justiça italiana, foi transferido na manhã desta segunda-feira (17) para o Centro de Ressocialização (CR) de Limeira, no interior de São Paulo. A informação foi confirmada pela Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), que também confirmou a saída da Penitenciária 2 de Tremembé, mas não informou o motivo da transferência.
Robinho deixou a P2 por volta das 8h30. Desde março de 2024, o ex-atleta vinha cumprindo pena em Tremembé, unidade conhecida por abrigar detentos envolvidos em casos de grande repercussão nacional.
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A transferência ocorre após um pedido da defesa, feito no fim de outubro, ter sido negado pela Justiça. A solicitação, que pedia a mudança de presídio, foi recusada sob a justificativa de que questões desse tipo devem ser direcionadas diretamente à SAP, responsável pela administração de todas as unidades prisionais e pela redistribuição dos presos no estado.
O deslocamento de Robinho acontece também semanas depois da repercussão de um vídeo divulgado pelo Conselho da Comunidade de Taubaté, no qual o ex-jogador aparece ao lado do empresário Tiago Brennand, negando privilégios dentro da P2 e comentando a rotina na unidade. O vídeo foi divulgado após críticas e questionamentos levantados pelo livro “Tremembé, o presídio dos famosos”, do jornalista Ulisses Campbell, que cita supostos benefícios concedidos a detentos de notoriedade pública.
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Robinho está preso no Brasil desde 22 de março de 2024, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou o cumprimento da pena aplicada pela Justiça italiana. A decisão determinou que o sistema prisional brasileiro assumisse a execução da condenação, em razão de acordos de cooperação internacional. Enquanto esteve em Tremembé, o ex-jogador dividiu cela com outro preso. O espaço tinha cerca de 2 m por 4 m e ficava no pavilhão voltado a detentos condenados por crimes de grande repercussão.
O Centro de Ressocialização de Limeira, inaugurado em 2001, opera hoje com superlotação nos dois regimes. No regime fechado, são 119 presos para uma capacidade de 104. No semiaberto, 139 presos ocupam um espaço projetado para apenas 125. A maioria deles é oriunda de cidades da própria região.

A unidade possui uma horta de aproximadamente 6,5 mil metros quadrados, mantida pelos próprios presos. Os alimentos produzidos são utilizados nas refeições diárias e também destinados a doações. Neste ano, o CR doou uma tonelada de milho-verde e batata-doce ao banco de alimentos da prefeitura. Entre os vegetais cultivados estão maracujá, couve, abacaxi, quiabo, hortelã, pepino, abóbora, batata-doce e mandioca. O local ainda mantém um pomar com abacate, mamão, frutas cítricas, manga e uva.

Além das atividades agrícolas, o presídio desenvolve projetos de ressocialização como o “Projeto Retribuir”, no qual reeducandos revitalizam prédios públicos da cidade. Um dos trabalhos recentes foi a pintura da Escola Municipal Waldemar Lucato, realizada durante o período de férias escolares e que rendeu ao CR uma moção de aplausos da Câmara Municipal. Dentro da unidade, presos também trabalham na montagem de brinquedos, sofás e outros móveis.
O CR oferece cursos de capacitação profissional em parceria com Senai, Senac e Sebrae, além de garantir ensino regular. Entre os cursos disponíveis estão elétrica residencial, alvenaria básica, assentamento de revestimentos, pintura predial, polimento automotivo, metrologia, empreendedorismo, inspeção de qualidade e interpretação de desenho técnico. Reeducandos que estudam ou trabalham podem reduzir a pena: a cada três dias de trabalho, um dia é abatido.

A unidade também realiza um campeonato interno de futsal chamado “Copa do Mundo”, no qual cada equipe representa um país. Em dias de jogos da seleção brasileira, presos são liberados temporariamente do trabalho para acompanhar as partidas. O presídio ainda mantém um espaço kids, criado para permitir convivência entre pais privados de liberdade e seus filhos nos dias de visita.
✍️ Reportagem: Jornalista Toni Oliveira
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