Soldados afetados pela gripe espanhola em hospital no estado do Kansas, Estados Unidos, em 1918 - Foto: Divulgação/US National Museum of Health
O novo coronavírus foi considerado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) como pandemia —classificação usada para descrever o crescimento inesperado de uma doença em âmbito global. De acordo com os dados mais recentes divulgados pelo órgão, há mais de 210 mil casos confirmados, espalhados por 118 países e territórios.

O diretor-geral da entidade, Tedros Ghebreyesus, ressaltou que esse termo não deve ser usado de maneira leviana. "Se mal utilizada, a palavra [pandemia] pode causar medo irracional ou aceitação de que a luta acabou, resultando em mortes e sofrimento desnecessários", disse.


Relembre outras doenças que também foram consideradas pandemias.
HIV/Aids (1981-atualmente)
Além do coronavírus, ainda há outra pandemia ativa: 37,9 milhões de pessoas que convivem com o HIV (vírus da imunodeficiência humana), de acordo com os últimos dados disponibilizados pela Unaids (Programa da ONU para o combate do HIV/Aids), do fim de 2018.
Transmitido por via sanguínea ou sexual, se o vírus não for tratado adequadamente, pode chegar a seu estágio mais avançado, a Aids (síndrome da imunodeficiência adquirida). Nessa fase, as células de defesa do corpo são reduzidas drasticamente, deixando o paciente suscetível a doenças que podem ser fatais.
Estima-se que, desde o início da epidemia, 32 milhões de pessoas tenham morrido em decorrência das complicações causadas pela infecção.
H1N1 ou gripe A (2009-2010)
A gripe A começou no México, transmitida por porcos —motivo pelo qual foi chamada inicialmente de gripe suína.
A pandemia foi altamente infecciosa: uma em cada cinco pessoas em todo o mundo pegou a doença. No entanto, a taxa de mortalidade foi de 0,02% —menor do que a de uma gripe sazonal. A doença tinha os mesmos sintomas que a gripe comum, mas podia evoluir para uma pneumonia e agravar condições crônicas pré-existentes.
Para prevenir o contágio, o comissário de saúde da União Europeia aconselhou que os europeus evitassem viagens aos Estados Unidos e ao México, e os governos do Egito e da Indonésia ordenaram o sacrifício de todo o rebanho de porcos de seus países, estimados em milhares de animais. Milhares de escolas fecharam e cruzeiros foram postos em quarentena, como aconteceu com o Diamond Princess, em fevereiro deste ano.
Em agosto de 2010, com queda considerável no número de infectados, a ONU decretou o fim da pandemia.
Gripe de Hong Kong (1968-1969)
Originária do território que a nomeia, a doença foi causada por uma mutação do vírus da gripe, chamada de H3N2. Seus sintomas eram semelhantes a de uma gripe comum e também não tinha alta taxa de mortalidade. No entanto, pela escala da infecção, estima-se que a pandemia tenha vitimado um milhão de pessoas em todo o mundo.
Gripe aviária ou gripe asiática (1956-1958)
Transmitida a humanos por meio de aves, a doença é causada por outra mutação do vírus da gripe, chamado de H2N2. Por ter se originado na China, também foi chamada de gripe asiática. Cerca de dois milhões de pessoas morreram em decorrência do vírus, 69.800 dessas só nos Estados Unidos.
Gripe espanhola (1918-1920)
Uma das pandemias mais mortais já registradas, a doença pertencia ao mesmo subtipo da gripe A, o H1N1. Cerca de 30% da população mundial contraiu o vírus, e as estimativas de mortes ficam entre 17 e 100 milhões.
Ao contrário do que sugere o nome, a pandemia não começou na Espanha. Não há consenso sobre a origem, mas as três principais hipóteses são que tenha se iniciado na China, na França ou nos Estados Unidos. Como aquela era a época da Primeira Guerra Mundial, muitos países não tornavam públicas informações sobre as vítimas da doença. A Espanha, que não participava do combate, continuou noticiando os casos normalmente —o que deu a impressão de que o país foi atingido com mais força do que outros.
Boa parte das vítimas eram jovens, diferentemente das outras pandemias de gripe. Alguns especialistas sugerem que pode ter sido um mecanismo particular da molécula, outros culpam a desnutrição, falta de higiene e superlotação dos hospitais durante a guerra. Da Redação Toni Oliveira /Jornal O Movimento com  CNN Brasil  É proibida a reprodução, total ou parcial, do conteúdo )