O equipamento dos coveiros também mudou, com macacões especiais, luvas duplas e máscaras no rosto, para diminuir o risco de contaminação. Foto: Ullisses Campbell
Desde o dia 1º de março, uma letra e um número colocados no alto da folha da declaração de óbito podem significar a diferença entre uma despedida digna e um enterro expresso na cidade de São Paulo, a mais atingida no Brasil até agora pela pandemia do novo coronavírus. À dor da perda, soma-se a tragédia de não não poder sequer dizer adeus. 


 A vestimenta dos coveiros também mudou na esteira da crise. As luvas simples e uniformes comuns deram lugar a trajes especiais, completamente vedados, com máscaras para o rosto e luvas duplas — por baixo das antigas, os profissionais utilizam outras, cirúrgicas, para reforçar a precaução contra o contato.

Apenas em uma manhã, mais precisamente na última quarta-feira (25), 19 enterros por causa do coronavírus foram registrados no Cemitério Vila Formosa, o maior da América Latina, na zona leste de São Paulo. 


Foto: Ullisses Campbell
No dia anterior, o Ministério da Saúde havia divulgado 12 novas mortes confirmadas pelo novo coronavírus em todo o país. Em razão da escassez de testes no Brasil, apenas pacientes que apresentam sintomas graves da doença, como dificuldade para respirar e que tenham tido contato com pessoas infectadas, estão sendo submetidos a exames.


As irmãs Jandira e Maria de Fátima Fonseca foram as únicas presentes no enterro do pai, Ignácio, que morreu atestado com infecção pelo novo coronavírus. Foto: Ullisses Campbell
O governo já prometeu ampliar a capacidade de detecção dos infectados, como fizeram outros países, e mais de 20 milhões de testes estão sendo aguardados para as próximas semanas. Essa dinâmica, contudo, provoca uma escalada dos casos suspeitos e a hipótese de subnotificação de pessoas realmente infectadas.

Apesar das restrições severas em vigor no Brasil e em boa parte do mundo, não há casos de contágio do novo coronavírus por meio de cadáveres. Um dos problemas é que mesmo depois da morte o vírus pode permanecer nas roupas e objetos ainda por várias horas, o que tem levado às medidas de lacração quase imediata do caixão.


Dados atualizados
Nesta sexta-feira (27/03), o Ministério da Saúde atualizou os dados sobre o coronavírus no Brasil: 3.417 casos confirmados da doença e 92 mortes.Da Redação Toni Oliveira /Jornal  O Movimento com informação  da revista Época. É proibida a reprodução, total ou parcial, do conteúdo&nbspPacientes na UTI têm alta em São Paulo após uso da hidroxicloroquina;)