A. Monteiro Filho médico/membro da aplace - cad. 19
Pequenos frascos podem conter “grandes” perfumes. O átomo, ínfima partícula da matéria, contém uma colossal carga de energia, fato que até mesmo os leigos em ciências conhecem, por não poderem ignorar a existência das famigeradas bombas atômicas. Eximindo-me da citação de muitos outros exemplos de pequenas-grandes coisas, fecho este parágrafo com um sábio refrão popular: ”tamanho não é documento”. Ah, eu tenho muitos motivos para acreditar em pequenas-grandes coisas. Em l995, aos 65 anos de idade, decidi me matricular no curso de matemática da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, de São José do Rio Pardo, cidade esta para a qual tive que efetuar, durante três anos, noturnais idas-e-vindas, de ônibus, para obter a minha licenciatura nessa que, para mim, é a única ciência que o ser humano realmente inventou. Assim penso porque as demais ciências não passam de um desvendar dos fenômenos com que Deus inventou e criou a natureza. Nós não inventamos a física, a química, a biologia e outras ciências, apenas as descobrimos e vamos desvendando os seus divinos mecanismos de funcionamento. Embora não tenha atingido o grau de estudos avançados, os três anos de São José do Rio Pardo me foram venturosos e valiosos. A simples matemática lá adquirida me ajudou numa melhor compreensão da física e da astrofísica, com as quais vim a ter um amor “camiliano”, tardio, um “amor de perdição”. Além da matemática, São José do Rio Pardo me ensejou a oportunidade de conhecer a casa, já tombada como patrimônio histórico, onde Euclides da Cunha morou e escreveu, senão todo, a maior parte do seu grandioso “Os Sertões”. Apenas a casa do grande escritor? Não, mais do que isso, pois, durante aquele meu período riopardense, participei, nos meses de outubro, de três valiosos eventos cunhados com o título de “Semana Euclidiana”, que me deram à mente e ao espírito uma visão um pouco mais ampla a respeito de Euclides da Cunha. No sábado passado, uma palestra fundamentada na vida e na obra de Euclides da Cunha iluminou a reunião da nossa Aplace. Em cerca de trinta minutos, o professor Moacir Fonseca, valendo-se de amplos estudos e vasto conhecimento, bem como de precioso dom da oratória, pronunciou palestra a respeito de Euclides da Cunha, como escritor, como cientista, como sociólogo e como sofrido ser humano. E os brilhantes trinta minutos de palestra deram ensejo a mais sessenta, de debates, com contribuições proveitosas dos demais confrades aplacianos. Foi mais uma reunião da Aplace em que predominaram a intelectualidade e a espiritualidade. Aqueles trinta minutos do Prof. Moacir Fonseca condensaram magnificamente toda uma inteira Semana Euclidiana. Sim, eu tenho muitos motivos para crer em valiosas pequenas-grandes coisas. |