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O El Niño vem aí: fenômeno deve chegar forte e 'causar' no clima do planeta

Pesquisadores preveem ser bem provável que fenômeno El Niño retorne em 2023. E com ele, devem ocorrer eventos extremos climáticos que impactam o clima em todo o mundo. © AP Photo/Picture Alliance

Previsões climáticas estão indicando a presença de um super El Niño no segundo semestre deste ano. O fenômeno meteorológico deve ser muito intenso e modificar o clima do planeta enquanto estiver ativo.

Após três anos de influência no clima global, chegou ao fim em fevereiro o fenômeno climático caracterizado pelo resfriamento das águas do Oceano Pacífico equatorial, a La Niña. Com isso, tem início a transição para o El Niño, que deve elevar as temperaturas em todo o planeta.

O fenômeno é um padrão climático que se origina no Oceano Pacífico ao longo da Linha do Equador e afeta o clima em todo o mundo.

Fenômenos como El Niño podem contribuir com variações temporárias da temperatura média global (Imagem: Divulgação)

A água quente normalmente está confinada no Pacífico ocidental pelos ventos que sopram de leste a oeste, em direção a Indonésia e a Austrália. No entanto, durante o El Niño, os ventos diminuem e podem até inverter a direção, permitindo que a água mais quente se espalhe para o leste, chegando até a América do Sul.

Os cientistas ainda estão procurando uma resposta sobre por que isso acontece, mas a desaceleração desses ventos pode durar semanas ou até meses.

Impacto no Brasil
Desde o início de outono, começaram mudanças no regime de chuvas no Brasil. De acordo com o Climatempo, em junho, o Oceano Pacífico equatorial deverá estar com temperaturas acima da média em toda a faixa, principalmente próximo da América do Sul.

“O El Niño deverá se instalar de fato a partir de julho, e sua influência será notada a partir de agosto, como o aumento das chuvas na região Sul, diminuição no extremo norte e elevação das temperaturas, que tendem a ficar acima da média na metade da região Norte do país a partir de julho”, acrescenta o Climatempo. “Estima-se que seja um El Niño de intensidade moderada neste período. Estamos monitorando se será de maneira forte no próximo verão”.

Durante o outono, é comum observar o avanço da Alta Subtropical do Atlântico Sul (ASAS) pelo Sudeste, que favorece períodos mais secos entre as áreas centrais e parte do Sudeste do País, típicas da estação. Há ainda a formação de frentes frias e de instabilidades mais para o Sul do Brasil, Mato Grosso do Sul, no Centro-Oeste, e São Paulo, na região Sudeste.

O El Niño costeiro deve impactar ainda no aumento de chuva em parte do Sul do Brasil, entre Santa Catarina e o Paraná, parte de Mato Grosso do Sul e de São Paulo.

El Niño proporciona estudo global dos opostos
Um El Niño de forte intensidade aquece a atmosfera e altera os padrões de circulação em toda a Terra, podendo afetar especialmente a Corrente de Jato – uma faixa estreita de vento forte na atmosfera superior – sobre o Pacífico, que fica mais forte e despeja tempestades mais frequentes e intensas sobre o oeste dos EUA, especialmente a Califórnia, e ao longo da costa oeste da América do Sul.

A atmosfera, no entanto, fica em uma espécie de jogo de soma zero: ocorrem mais chuvas nas Américas do Norte e do Sul, às custas de secas no sul da Ásia e na Austrália, regiões normalmente chuvosas.

O El Niño é conhecido por causar inundações intensas na parte oriental da África, levando a deslizamentos de terra, aumento de doenças transmitidas pela água e até escassez de alimentos. Nesse mesmo período, as partes norte e sul do continente sofrem secas severas.

Quando este fenômeno acontece com forte intensidade, também influencia as temporadas de ciclones ao redor do planeta. Quanto mais quente o Oceano Pacífico, mais furacões ou tufões acontecem – enquanto menos furacões se formam no Oceano Atlântico.

Seca deve impactar diretamente nas safras de vários países do mundo. ©  FADEL SENNA/AFP/Getty Images

O impacto da crise climática está sob revisão
Apesar de já ter acontecido outras vezes, a influência da crise climática no El Niño ainda é motivo de debate.

Estudos recentes mostram que as mudanças climáticas podem piorar o impacto desse fenômeno e, embora seja improvável que o número geral de El Niños aumente à medida que o planeta esquenta, os chamados “super” El Niños podem ficar mais prováveis, sugerem outras pesquisas.

Entre os subprodutos mais prováveis ​​do aquecimento global estão os eventos de precipitação mais extremos, porque as temperaturas mais altas podem reter mais vapor de água na atmosfera. Esse efeito poderia tornar as inundações induzidas pelo El Niño ainda maiores. ( Este conteúdo foi criado originalmente em inglês pela CNN - Proibido a reprodução )

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