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Veículos de imprensa mudam política de cobertura de ataques a escolas

Após estudos feitos por especialistas, veículos de comunicação modificaram suas políticas em cobertura jornalística de ataques e massacres em escolas. © Fernando Frazao / Agencia Brasil

O ataque a uma creche de Blumenau (SC), que aconteceu na última quarta-feira (5), no qual quatro crianças foram mortas e outras cinco, feridas, trouxe um alerta a veiculação desse tipo de notícia. 
Um dado alarmante aponta que, nos primeiros quatro meses do ano, esse é o quinto ataque a escolas de maior repercussão no país. 

Os outros casos foram: em 13 de fevereiro, o ataque com bomba caseira por um ex-aluno em Monte Mor (SP); em 27 de março, o ataque a faca por um aluno de 13 anos a uma escola em São Paulo, que deixou uma professora morta e quatro pessoas feridas; o ataque a faca por um aluno a colegas em uma escola do Rio de Janeiro em 28 de março.

Visando a recorrência desses ataques, estudos feitos nos Estados Unidos (EUA) apontam que, a vinculação de informações detalhadas de autores, como: nome, imagem, motivação do crime, vídeos da ação, não podem ser divulgadas. O estudo mostra que essa visibilidade, faz com que, esses tipos de ataque aconteçam ainda mais, o chamado “efeito contágio”, onde outras pessoas, se identificam com o autor do ato e podem usa-lo como exemplo para um possível próximo ataque. 

Associações e veículos de comunicação, como: Grupo Globo, Estadão, Jeduca Brasil, Abraji, entre outros, estão entre as empresas que compartilham o mesmo posicionamento.  O jornal "O Movimento" passa a adotar esse protocolo em sua cobertura.

O Grupo Globo divulgou uma nota sobre as diretrizes que orientam a cobertura de casos de ataques e massacres de seus veículos de imprensa:

"Os veículos do Grupo Globo tinham há anos como política publicar apenas uma única vez o nome e a foto de autores de massacres como o ocorrido em Blumenau. O objetivo sempre foi o de evitar dar fama aos assassinos para não inspirar autores de novos massacres. Essa política muda hoje e será ainda mais restritiva: o nome e a imagem de autores de ataques jamais serão publicados, assim como vídeos das ações…”

O Estadão divulgou uma nota da redação: 

“O Estadão decidiu não publicar foto, vídeo, nome ou outras informações sobre o autor do ataque, embora ele seja maior de idade. Essa decisão segue recomendações de estudiosos em comunicação e violência. Pesquisas mostram que essa exposição pode levar a um efeito de contágio, de valorização e de estímulo do ato de violência em indivíduos e comunidades de ódio, o que resulta em novos casos. A visibilidade dos agressores é considerada como um “troféu” dentro dessas redes. Pelo mesmo motivo, também não foram divulgados vídeos do ataque em uma escola estadual na Vila Sônia, zona oeste de São Paulo, no último dia 27 de março.”

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