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Bolsonaro justifica, mas repudia bloqueio de estradas realizado por caminhoneiros que o apoiam

Presidente quebrou silêncio 43 horas depois de perder as eleições para o presidente eleito Lula (PT). © Reprodução/Jornal O Movimento

O presidente Jair Bolsonaro (PL) justificou, em discurso proferido nesta terça-feira (1º) no Palácio do Planalto, as manifestações dos caminhoneiros que o apoiam, mas condenou os bloqueios realizados em centenas de rodovias brasileiras desde a madrugada dessa segunda-feira (31).

"Os atuais movimentos populares são fruto de indignação e sentimento de injustiça de como se deu o processo eleitoral. As manifestações pacíficas sempre serão bem-vindas, mas os nossos métodos não podem ser os da esquerda que sempre prejudicaram a população como invasão de propriedades, destruição do patrimônio e cerceamento do direito de ir e vir", disse Bolsonaro no pronunciamento em Brasília (DF).

É a primeira manifestação do atual presidente após ser derrotado nas eleições do último domingo (30), e testemunhar a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Bloqueios na estrada
Ao menos 306 pontos de bloqueio impediam o trânsito em rodovias do país já foram liberados após ações da Polícia Rodoviária Federal (PRF), que cumpre decisão da Justiça. A informação foi confirmada pela instituição policial em coletiva de imprensa nesta terça-feira (1°).

De acordo com a PRF, mais de 400 pontos ainda seguem com interdições parciais ou totais.

Desde o resultado do segundo turno presidencial no último domingo (31), alguns caminhoneiros bolsonaristas bloqueiam rodovias em todo o país, protestando contra a vitória do Lula. Parte dos manifestantes pede, até mesmo, intervenção militar para manter Jair Bolsonaro na cadeira do Palácio do Planalto.

Confira a íntegra do discurso de Bolsonaro:

Quero começar agradecendo os 58 milhões de brasileiros que votaram em mim no último dia 30 de outubro. Os atuais movimentos populares são fruto de indignação e sentimento de injustiça, de como se deu o processo eleitoral.

As manifestações pacíficas sempre são bem-vindas, mas os nossos métodos não podem ser os da esquerda, que sempre prejudicaram a população. Como invasão de propriedade, destruição de patrimônio e cerceamento do direito de ir e vir.

A direita surgiu de verdade em nosso país. Nossa robusta representação no Congresso mostra a força dos nossos valores: Deus, pátria, família e liberdade.

Formamos diversas lideranças pelo Brasil. Nossos sonhos seguem,mais vivos do que nunca. Somos pela ordem e pelo progresso.

Mesmo enfrentando todo o sistema, enfrentamos uma pandemia e as consequências de uma guerra. Sempre fui rotulado como anti-democrático e, ao contrário dos meus acusadores, sempre joguei dentro das quatro linhas da Constituição. Nunca falei em controlar ou censurar a mídia e redes sociais.

Enquanto presidente da República e cidadão, continuarei cumprindo todos os mandamentos da nossa Constituição.

É uma honra ser o líder de milhões de brasileiros que, como eu, defendem a liberdade econômica, a liberdade religiosa, a liberdade de opinião, a honestidade e as cores verde e amarelo da nossa bandeira. Muito obrigado.

Após a fala do presidente, o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, fez o seguinte pronunciamento:

"O presidente Jair Bolsonaro me autorizou, quando for provocado, com base na lei, nós iniciaremos o processo de transição. A presidente do PT, segundo ela, em nome do presidente Lula disse que na quinta-feira será formalizado o nome do vice presidente Geraldo Alckmin [para conduzir a transição pelo lado do futuro governo]. Aguardaremos que isso seja formalizado para cumprir a lei no nosso país."


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